Festa Junina: origem e transformações

Se tem uma época do ano que eu amo, com toda a certeza é a que estamos. Por duas razões: friozinho e, claro, os festejos juninos!!
Como não amar uma época tão alto astral, com músicas para família toda entrar na roda, cores alegres e comidas deliciosas?! Lembro de festinhas juninas que minha mãe fazia em casa para comemoração de aniversários ou simplesmente para reunir a família e me dá uma vontade danada de voltar no tempo, participar das quadrilhas de escola, com aqueles vestidinhos rodados, sardas feitas de lápis de olho, só admirando os meninos com bigodinhos e costeletas feitas com a rolha do vinho queimada (o meu encanto por cortiças já nasceu ai 🙂 )….

Pode ser que esse amor por festas juninas tenha se intensificado quando decidi me casar com a temática junina…. ou pode ser que esse amor já fosse tão grande que não havia outra alternativa para festejar meu casamento… O fato é que a festa é encantadora e possui atrativos como nenhuma outra no ano. Pesquisando um pouco sobre a história dessas comemorações, descobri algumas coisas bem bacanas que vão se perdendo com o passar do tempo.

Você sabia que em tempos remotos, antes do cristianismo, neste mesmo período do ano, já ocorriam celebrações no Hemisfério Norte em função do solstício de verão (que acontece no dia 21 de junho, quando o dia com incidência de luz solar é o mais longo e a noite a mais curta) e do início das colheitas? A festa foi fundida,  no calendário cristão, pela igreja católica para comemoração do dia de São João (24 de junho), de Santo Antônio (13 de junho) e dia de São Pedro (29 de junho).

Obra lindíssima do artista potiguar Assis Costa que retrata muito bem um Festa Junina. Para conhecer mais sobre o trabalho deste artista, acesse aqui

Dizem que antigamente a comemoração era denominada de ‘joanina’ em referência a São João, o qual a data se aproximava mais do dia de solstício, e depois se adaptou para ‘junina’ para abranger a data dos outros santos.

Contudo, foi muito interessante para mim, descobrir que quando os portugueses chegaram no Brasil notaram que os povos indígenas também tinham rituais de celebração no mês de junho. Apesar de ser inverno aqui, coincidia com à preparação de novos plantios e com a fartura da colheita. Assim, as celebrações eram ligadas com a agricultura: era tempo de agradecer, com cantos, danças e, claro, muita comida.

Podemos dizer, então, que a Festa Junina é multicultural, com misturas europeias, católicas e indígenas. Foi se transformando ao longo dos anos e continua se reinventando conforme a evolução dos costumes.

Eu, com vergonha, dançando quadrilha em 1993. PS: Reparem nos remendos nas calças dos meninos. É muito amor!

A quadrilha, por exemplo, tem origem francesa, lá do século XVIII, Quadrille. O estilo chegou ao Brasil no século XIX, junto com a nobreza portuguesa, e tomou forma para animar os arraiais juninos. Provavelmente, assim como eu, você já tenha visto esta dança em algum filme de época, mas para ter certeza eu fui correndo dar uma olhada no youtube (Você pode assistir por esse link) e não é que a danada tem coisas semelhantes a nossa quadrilha mesmo!? Óbvio que com muitas adaptações, mas acrescentando uma zabumba, sanfona, triângulo e um violão, você percebe uma semelhança bem grande entre as duas danças rs.

Era muito comum, nas festas também, a soltura de balões ou para avisar que a festa iria começar ou para levar os desejos e pedidos para os santos. Este costume também se transformou com o passar dos anos. Aqui no Brasil, por exemplo, não se tem mais este costume devido aos riscos de incêndio após a sua queda (a prática está proibida por lei e caracteriza-se como crime ambiental através da Lei Federal 9605/98).

A fogueira, que também é um símbolo dos festejos, sempre esteve presente nas celebrações. De acordo com alguns estudiosos, nos festejos indígenas elas existiam para espantar os maus espíritos, mas há também o fato dela estar intimamente ligada com a técnica agrícola coivara, onde se utiliza o fogo numa das etapas de preparação da terra para o cultivo. Já para os católicos a questão da fogueira faz referência ao nascimento de São João, onde sua mãe, Isabel, faz a fogueira para avisar Maria, mãe de Jesus, sobre o seu nascimento.

As comidas são típicas da época. Aqui no Brasil as comidas das festas juninas são baseadas muito no milho, devido a época da safra, numa festa não falta: canjica, bolo de milho, pamonha doce, pamonha salgada, pipoca, milho verde, curau, etc. Além disso, temos todas as outras guloseimas deliciosas, como a paçoca, pé-de-moleque, arroz doce, pastel, pinhão, maria-mole, além do vinho quente e do quentão. Como nosso Brasil é grande, com certeza, há variações de região por região, mas aqui no Sudeste estes itens não podem faltar.

A Festa de São João em Campina Grande, na Paraíba disputa com Caruaru, em Pernambuco o título de maior festa do mundo. Em ambas as festas há competições entre quadrilhas e muitos shows durante o mês todo. Ô delícia!!

Bandeirinhas feitas por artesãs paraibanas que enfeitam as festas de São João na região que, em Campina Grande, tem duração de mais de um mês (Foto: Antonio Ronaldo/Editora Globo)

Aqui no sudeste a festa é vinculada ao mês de junho, início do inverno, onde podemos cantar, dançar, tomar vinho quente e quentão para aquecer nossos momentos e nossos corações (lembrem do correio elegante hahaha) e, também, para desfrutar da safra de milho verde (hummmm). As festanças ocorrem em clubes, escolas, nas igrejas e nas ruas pelas cidades.

Não podemos esquecer que hoje já temos as ‘festas julinas’ rs – convenhamos que os dias estão passando tão rápido que quando a gente vê o mês já passou.. :/ – e eu estou aqui torcendo pelas festas agostinas, setembrinas, outubrinas e etc, etc, etc… 😉

Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, há dois arquivos muito bacanas, que embasaram o meu post. O primeiro é o livro Festas Juninas/Festas de São João – Origens, Tradição e História, da Lucia Helena Vittalli Rangel e o segundo é um artigo da Claudia Lima para a Revista Junina, Ciclo Junino – Festa de São João. Os sites Mundo Estranho e Mega Curioso também abordaram o assunto.

2 Comments

  1. Mara mãe

    29 Junho, 2015 at 0:43

    Adorei! Também tenho boas lembranças destas festas..
    Seu texto está gostoso de ler e você está muito linda de “caipirinha”.

    1. Canto de Ca

      29 Junho, 2015 at 13:15

      ô meu Deus!!! Mamãe que tem bom gosto!! Te amo! <3

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